O precioso dom da nossa eleição



Queridos Filhos, somos convidados a rever nossa vida no seu ser Missiónario, escutando a palavra de nosso Santo Padre o papa Bento XVI, “A caridade, alma da missão”, abro nossas Constituições e me deparo com o documento de fundação, nas palavras de nossa Co-fundadora e formadora geral: “Deus pousou seus olhos sobre nós. Não olhando para nossas fraquezas e misérias, Deus fez brotar em nós o desejo de fazê-lo “ Princípio e Fim" de nossas vidas.”

E isso faz brotar em meu coração a certeza de uma Escolha, não fomos nós que escolhemos Deus, mas é Deus mesmo que nos Escolhe. Sou uma Escolha de Deus, logo somos chamados a perceber o valor de nossa Eleição, por isso nesta missiva deste mês não estou a escrever-vos para lhes dizer: “Creia em Deus, mas escrevo para lembrá-los: Deus Crê em Ti”.

Deus tem investido em nós,  não desisti um segundo de nós. Por isso é preciso perceber o valor de nossa Eleição. Às vezes me pego questionando se não brincamos muito com esta escolha, buscamos a fama... e não buscamos a Eternidade... Não busquemos a fama de ter sido escolhidos, e nem por termos deixado tudo por ele, mas vá em busca cerrada da Eternidade.

Busca a Eternidade, repito: Busca a Eternidade. Para isso sejamos fiéis a esta eleição, a este chamado, lutemos para não perder o referêncial único de nossa vida: O chamado a esta Vocação, a este Carisma, a este Estado de Vida .
Olhamos muito para o nosso estado de perfeição e não o aperfeiçoamento no estado!

Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas de ouro ! Convertamos e nos Purifiquemos!
Então confiemos somente em Deus... e assim vivamos nosso Carisma. Sê fiel aquele que permanece fiel mesmo quando sou tão infiel!

Que este seja  nosso destino: amar, adorar, servir, viver, e começar cada dia unidos aquele que É!
A questão é que o mundo de hoje chama de fanatismo aquele mínimo que nós deveríamos praticar depois de termos nos encontrado com Cristo.
Na verdade a cada dia tenho constatado que fomos chamado a ser DIFERENTE, para muitos: ESTRANHO, é ai que esta a diferença! Pois, quando sou para minha comunidade, meu Carisma, sou para a obra de Deus , sou para Deus e de Deus!

Assim é preciso almejar o dom do esquecimento de Si, pois o dom do “esquecimento” de si, o perder-se para si,  não é para todos, é para muitos pouquissímos. É um Carisma , um dom a ser suplicado para que possamos nós dar inteirinho Àquele que nos chamou por inteiro, não pela metade, pois se deu inteiro a nós.

Gostaria de levá-los a esta reflexão de nossa Eleição por isso apresento um pouco a teologia da eleição a partir do povo de Deus, Israel, o próprio Cristo e nós fiéis.

A ELEIÇÃO DE ISRAEL

Nos primórdios os israelitas demostravam inabalável fé na crença de que Israel era o povo escolhido de Deus dentre os demais povos. De acordo com o Antigo Testamento, essa eleição leva em conta os seguintes fatos:

1. A fonte da eleição (Dt 7,7; 23,5). O discurso de Moisés frisa que Deus não escolheu Israel por ser ele um povo maior em número que os demais existentes no seu tempo. Na verdade Israel era o menor entre esses povos. Deus o escolheu por causa do Seu imensurável amor. Como fonte da eleição de Israel o amor divino para com esse povo foi expontâneo e gratuito, sem mérito algum, resultado único do Seu beneplácito. Deus decidiu por si mesmo eleger e fazer bem a Israel, independentemente do que os israelitas pudessem ou não fazer (Dt 28,63; 30,9).

2. O alvo da eleição. Ao escolher Israel, Deus tinha em mente, primeiro, a benção e a salvação do povo tendo em vista de Deus tê-lo separado para Si mesmo (Sl 33.12), e, finalmente, para a Sua própria glória, fazendo com que Israel fosse um motivo de Seu louvor entre as demais nações da Terra (Is 43,20-21); Sl 79,13; 96,1-lO).

3. Obrigações decorrentes da eleição. As obrigações religiosas e éticas, decorrentes da eleição de Israel, tinham implicações de grande alcance. Uma vez que a eleição de Israel o tornava um povo distinto dos povos então conhecidos, ele era alvo do ciúme de Deus. Tinha de ser leal às leis divinas(Lv 18,4-5), evitando assim a conformação com a idolatria e a vida depravada do mundo não-eleito (Lv 18,2).

4. Bênçãos decorrentes da eleição. Tão logo tornou manifesta a decisão de eleger Israel. Deus fez um pacto de proteção com o povo (Dt 28,1-1 4).Os filhos de Israel viveriam sob os olhares e a proteção de Deus. Mas nenhum lhes alcançaria. Era uma questão de obediência da parte de Israel aos mandamentos do Senhor que o elegera.

E como disse Moisés: “O Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, quando obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno. para os guardar e fazer. E não te desviarás de todas as palavras que hoje te ordeno, nem sempre para a direita nem para a esquerda, para andares após os servires” (Dt 28.13-14).

A ELEIÇÃO DE JESUS CRISTO
As Escrituras tratam da Pessoa de Jesus Cristo como “eleito” pelo próprio Pai. Quanto a isto, note o próprio Deus dizendo: “Eis aqui o meu servo, a quem sustento; o meu Eleito, em quem se compraz a minha alma: pus o meu espírito sobre ele; juízo produzirá entre os gentios . Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega;em verdade produzirá o juízo; não faltará nem será quebrantado, até que ponha na terra o juízo; e as ilhas aguardarão a sua doutrina” (Is 42,1-4).

O estudo do texto de lsaías aqui citado destaca Jesus como o eleito de Deus em sentido especial.

1. Eleito para servir. “Eis aqui o meu servo, o meu Eleito...” Como inigualável servo de Deus, Jesus se constitui modelo perfeito daqueles que hoje são chamados á obediência e serviço de Deus. Ele mesmo disse àqueles que buscavam oportunidade de dominar sobre os outros: “...o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a vida em resgate de muitos” (Mt 20,28).

2. Eleito para o prazer do Pai. “...em que se compraz a minha alma...” Mateus testemunha, dizendo: “E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me com prazo” (Mt 3,16-17).

3. Eleito para viver no Espírito. “...pus o meu espírito sobre ele...” Ninguém. como Jesus nasceu do Espírito e viveu a abundância da presença do Espírito. Só Ele podia dizer com a mais absoluta convicção: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a apregoar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor (Lc 4,18-19).

4. Eleito para legislar. “...juízo produzirá entre os gentios...” Ninguém jamais viveu como Ele e ensinou como Ele ensinou. Ainda hoje as suas palavras são leis e as suas doutrinas decretos. Na orla do Seu manto real, para sempre está escrito: “Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (Ap 19,16).

5. Eleito para defesa dos fracos. “...A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega”. Cristo é a personificação da bondade e da misericórdia de Deus. Ele disse: “o que vem a mim de maneira nenhuma lançarei fora” (Jo 6,3 -7).

A ELEIÇÃO DOS FIÉIS

1. É uma escolha Graciosa (Rm 11,5; 2 Tm 1,9).

A “eleição da graça” é um ato de favor desmerecido, gratuitamente demonstrado para com os seres humanos “por natureza filhos da ira” (Ef 2,3). Mesmo assim Deus decidiu salvá-los, providenciando Ele mesmo os meios e os fins que culminariam com esse processo de redenção. Escolheu salvá-los de modo a exaltar Sua graça e destacar a natural pecaminosidade dos mesmos.

Independentemente de méritos que se possam imaginar, deve permear a nossa mente o fato: somos salvos única e exclusivamente por sua graça.

2. É uma escolha soberana (Ef 1,5-9).

Uma vez que Deus decida eleger-nos. Ele o faz como um projeto de responsabilidade unilateral. Isto é, a nossa eleição tem como fundamento exclusivo a soberania e o decreto de Deus. Ele não consultou nenhuma de suas criaturas, nem a nós mesmos quanto a levar a efeito ou não a nossa eleição. Paulo diz que Deus “propusera em si mesmo” eleger-nos (Ef. 1,9).

3. É uma Escolha Eterna ( Ef. 1:4; 2 Ts 2,13; 2 Tm 1,9).

Deus nos escolheu antes da fundação do mundo, no “princípio”, como diz Paulo. Como os decretos de Deus não caducam. Podemos crer que a nossa eleição é um fato relacionado não apenas com o passado, mas também com uma realidade insofismável com relação à eternidade futura.

Paulo salienta em vários pontos de suas epístolas que a eleição divina é eterna a fim de assegurar aos seus leitores que a mesma é imutável, e que nada quanto possa vir a acontecer no tempo poderá abalar a resolução que Deus tomou de salvar aqueles aos quais Ele elegeu em
Jesus Cristo.

4. É uma Escolha para a Obediência.

Alvo da eleição graciosa, soberana e eterna, o fíel é instado pelo apóstolo Pedro a não se acomodar. Diz o apóstolo do Senhor: “Portanto, irmão, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” ( 2 Pe. 1,10).

A única forma de evidenciar a realidade da eleição divina na vida é através da obediência aos santos preceitos do Senhor.
Bem aventurado é aquele a quem Deus escolhe, e faz a Si para habitar nos Seus átrios eternos! Esse será satisfeito da bondade da casa do Senhor e da solenidade do Seu templo. ( S1 65,4).

Pe. Emílio Carlos Mancini


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